Alta da gasolina: entenda o que muda na sua vida

Neste último um ano e meio, tem sido difícil ouvir boas notícias. Por mais que muitos insistam em decretar o fim da pandemia, a doença ainda faz vítimas, contaminados e produz muitas sequelas. O desemprego têm assolado muitas famílias país afora, assim como a fome.

Para agravar ainda mais a crise nacional, nos últimos meses o preços dos combustíveis disparou. É cada vez mais caro encher o tanque do carro, sendo que, em algumas cidades do Brasil, o litro da gasolina já passa dos R$ 7,00.

Com esse aumento, tantos outros produtos e serviços tem seu custo incrementado. Mas, porque isso acontece? Porque o aumento no valor do litro da gasolina e dos demais derivados do petróleo cria esse cenário? É o que mostraremos no artigo de hoje.

Sendo assim, no artigo de hoje, falaremos sobre:

  • Qual é o atual cenário?
  • O que justifica os aumentos?
  • Formação de preços
  • O que isso tem a ver com sua vida?

Qual é o atual cenário?

Nunca foi tão caro encher o tanque. Os brasileiros estão pagando cada vez mais para abastecerem seus veículos. Em alguns locais do país, como no Acre, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, por exemplo, o valor do litro da gasolina ultrapassou R$ 7,00.

O valor médio de Agosto foi o maior dos últimos 20 anos, em termos nominais, custando aproximadamente R$ 5,90. Somente em 2021 o combustível aumentou 28%, sem contar os aumentos do ano passado.

Um dos motivos que provocou esse aumento é o método de cálculo adotado pela Petrobras, em sintonia com o mercado internacional. O barril do tipo Brent (negociado em Londres) e usado pela Petrobras para calculo de preço aumentou desde o início do ano quase 40%, o que acabou por pressionar o preço dos combustíveis fósseis.

A Petrobras, que também fornece para as distribuidoras, calcula o preço nas refinarias com base na cotação do petróleo e na taxa de câmbio, pois a commodity é cotada em dólar. Nesse sentido, a valorização da moeda norte-americana, acumulada em 1,55% em 2021, contribuiu com a alta dos preços. A estatal aumentou o preço do combustível nove vezes somente neste ano.

Então, o que justifica esses aumentos?

O que justifica os aumentos?

A pandemia promoveu um desaquecimento natural da economia mundial em virtude de reduzir a circulação de pessoas o que, compreensivelmente, afetou a logística mundial, assim como a demanda por combustíveis.

Contudo, com o avanço da vacinação mundo afora, aos poucos, a cotação do petróleo voltou a subir, conforme as atividades econômicas foram sendo retomadas. A demanda por combustíveis cresceu, mas, por outro lado, a produção mundial não avançou no mesmo ritmo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a produção mundial de combustíveis estava em 92,3 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2020, ao passo que a demanda era de 84,8 milhões de barris.

No mesmo período de 2021, a procura aumentou para 96,7 milhões de barris diários, mas a produção ficou em 94,9 milhões de barris. A produção mundial só deve voltar a ultrapassar a demanda no primeiro trimestre de 2022, segundo apontam as projeções da AIE.

Além destes aspectos, existem outros fatores que podem influenciar a cotação do petróleo e, por consequência, de seus derivados, como as variantes do coronavírus, sobretudo, a variante Delta, o que pode indicar um recrudescimento da pandemia e a desvalorização do real frente ao dólar. Existem também as questões organicamente internas do nosso país.

No acumulado deste ano até o mês de Agosto, o preço da gasolina avançou 31,09%, enquanto o do diesel acumula alta de 28,02%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, que é utilizado pelo governo como índice oficial de inflação do Brasil. Ademais, a instabilidade e o caos político do Brasil afetam o aspecto cambial.

Mas, que outros aspectos do Brasil afetam diretamente o preço da gasolina?

Formação de preços

Um levantamento recente feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostra que o preço médio do litro da gasolina se aproximou de R$ 6,00, enquanto o diesel atingiu R$ 4,616. A alta dos combustíveis, inclusive, tem levado os motoristas de aplicativos a desistirem de trabalhar, dado o baixo retorno dos últimos meses.

Para entendermos a formação de preço, é necessário entender como os preços da gasolina e do diesel são definidos. O preço desses combustíveis é composto pelo preço exercido pela Petrobras nas refinarias, mais tributos federais (Pis/Pasep, Cofins e Cide) e estadual (ICMS), além dos custos de distribuição e revenda.

Além disso, há ainda o custo do etanol anidro, que é adicionado à gasolina, e o o biodiesel, que é adicionado ao diesel. As oscilações de todos esses itens determina o quanto o combustível vai custar nas bombas.

Na semana de 15 a 21 de setembro, segundo a própria Petrobras, o peso de cada um dos itens anteriores na formação de preços da gasolina e do diesel, foram:

GASOLINA

  • 33,6% Petrobras;
  • 27,6% ICMS (estadual);
  • 16,9% Etanol anidro;
  • 11,5% Cide, Pis/Pasep e Confins;
  • 10,4% Distribuição e revenda.

DIESEL

  • 52,4% Petrobras;
  • 15,9% ICMS (estadual);
  • 11,2% Etanol anidro;
  • 6,9% Cide, Pis/Pasep e Confins;
  • 13,4% Distribuição e revenda.

Além desses dados, existem ainda, como se sabe, questões relacionadas ao mercado financeiro (especulação) e ao pagamento de dividendos que afetam diretamente o valor dos combustíveis, mas, que muitas vezes, não é mencionado pelo “mercado”.

E como todo esse contexto afeta a nossa vida?

O que isso tem a ver com sua vida?

Todos os mercados globais dependem da logística em vários momentos do processo produtivo, e não somente isso: a logística é fundamental em diversas áreas de uma organização.

Se isso não bastasse, muitos maquinários dependem da gasolina e do diesel para funcionarem. Se tais combustíveis aumentam, naturalmente, o processo produtivo das organizações encarece.

Diante disso, muitas empresas reduzem sua demanda produtiva, dado o aumento do custo operacional, contudo, a demanda de mercado não se altera, ao menos, em um primeiro momento. Então, as empresas, observando a velha regra da oferta e procura, aumentam o preço de seus produtos/serviços.

Porém, seu bolso não sofre somente este impacto. Como mostramos, o custo logístico das empresas, principalmente com frete aumenta, o que, mais uma vez, encarece, por exemplo, o custo de verduras, legumes e demais gêneros alimentícios. Além disso, a passagem de ônibus, que depende diretamente dos combustíveis, também aumenta.

Enfim, quando os combustíveis aumentam é questão de tempo até vários itens básicos que utilizamos diariamente, além de serviços cotidianos, terem seu preço aumentado e, normalmente, repassado ao consumidor.

Conclusão

Como mostramos, quando os combustíveis, principalmente a gasolina e o diesel aumentam, o preço de vários produtos e serviços sofre aumento da mesma forma, pois, são insumos fundamentais para mover a economia.

Agora que você aprendeu mais sobre como o aumento da gasolina afeta sua vida, descubra tudo sobre como evitar dano às cargas na hora de embarcá-las e, principalmente, transportá-las.

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