Quais são os tipos e como funcionam os radares de trânsito?

Cada vez mais comum nas cidades e rodovias brasileiras, os radares são mecanismos de suporte à segurança, atuam não poucas vezes como instrumentos de educação e protegem pedestres e motoristas.

Alvos de diferentes opiniões tornaram-se populares pela função exercida na prática, quer dizer, flagrarem motoristas que insistem em cometer abusos e não observar as indicações legais (leis) de trânsito do país.

No Brasil, desde que começaram a ser empregados para a diminuição de acidentes e mortes no trânsito em 1999, os radares, de fato, proporcionaram uma significativa redução no número de acidentes e mortes viárias.

Contudo, mesmo atuando como instrumentos de prevenção, os radares não são suficientes para zerar os índices de acidentes e mortes no trânsito. Além da tecnologia, existem outros aspectos que também precisam ser alterados, como a qualidade do pavimento, sinalizações mais claras (que não estejam tapadas pela vegetação), além de células de fiscalização, como operações da polícia rodoviária e militar.

Por isso, no artigo de hoje mostraremos como os radares funcionam, falaremos quais são os tipos de radares mais comuns, além de apontar outras causas que interferem na segurança do trânsito brasileiro.

Para simplificar sua leitura, sumarizamos os temas abordados neste artigo em tópicos. Dessa forma, você poderá ler somente aquilo que for do seu interesse, além de esclarecer rapidamente suas dúvidas.

  • Como surgiu o radar?
  • A origem do radar
  • Utilização eficiente em guerras
  • Como funcionam os radares?
  • O que é efeito Doppler?
  • Que tipos de radares de trânsito existem?
  • Radares fixos
  • Os radares fixos são mesmo radares?
  • Radares móveis

Como surgiu o radar?

Muitas tecnologias no decorrer da história da humanidade surgiram em épocas em que as pessoas não estavam preparadas para utilizá-las. Além disso, pela dificuldade de produção e utilização prática, além da falta de recursos e estrutura, algumas destas tecnologias tiverem sua morte decretada no próprio berço.

Os radares passaram por uma fase semelhante. Todavia, anos mais tarde se mostraram eficientes, úteis e fundamentais, por exemplo, no contexto da segunda guerra mundial e veremos isso logo mais.

A origem do radar

No início do século XX, mais precisamente em 1904 na Alemanha, Christian Hülsmeyer, inventor, físico e empresário, criou o primeiro radar. No entanto, existem controvérsias quanto à atribuição da criação ao físico.

Seu invento, chamado de “Telemobiloscópio”, era incapaz de medir diretamente a distância de um alvo, sendo, portanto, indevida a atribuição de “criador”.

Todavia, o invento supracitado foi o primeiro dispositivo patenteado que usava ondas de rádio capazes de detectar a presença de objetos distantes, ainda que de forma imprecisa.

Algum tempo depois, em 1934, Pierre David, ao revisitar a teoria eletromagnética, deparou-se com os estudos realizados por Christian Hülsmeyer.

A partir disso, iniciou experiências objetivando desenvolver um sistema de detecção por ondas de rádio de alta frequência, com grande eficiência para a localização de aeronaves.

Coincidentemente, Henri Gutton e Maurice Ponte, criaram um dispositivo de detecção que funcionou com alta precisão. Um ano mais tarde, em 1935, foi instalado o primeiro sistema de radiotelemetria no famoso navio Normandie, com o objetivo de localizar e prevenir a aproximação de obstáculos.

Utilização eficiente em guerras

No início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Watson-Watt (Robert Alexander Watson-Watt), considerado por muitos o inventor do radar, melhorou e desenvolveu novas tecnologias, utilizando o sistema de telemetria fixa e rotatória. Wattson-Wat era descendente do famoso engenheiro e inventor do motor a vapor James Wat.

Os radares foram muito importantes na previsibilidade de ataques inimigos, uma vez que os ingleses, por exemplo, sabiam com precisão a distância, velocidade e direção do ataque. Assim, tinham tempo para avisar as pessoas e minimizar as consequências dos bombardeios.

Como funcionam os radares?

Antes de falarmos como os radares funcionam, precisamos destacar quais são os componentes que o constituem, sendo estes os responsáveis pelo funcionamento dos dispositivos.

Um radar é composto por uma antena com dupla função, quer dizer, em momentos diferentes do processo de funcionamento de um radar essa antena atua como transmissora de sinais, em outra fase, receptora.

A transmissão de sinais ocorre através de pulsos eletromagnéticos de alta potência, isto é, pulsos de alta energia com largo espectro, curto período, ou seja, cuja repetição do evento se dá em um curto intervalo de tempo, além de um feixe muito estreito.

Uma vez emitidos esses sinais, eles se alargam em forma de cone e se propagam pelo espaço até atingirem algum alvo (aviões, helicópteros, etc.). Posteriormente, são refletidos e retornam para as antenas emissoras que, neste momento, tornam-se receptoras de sinais.

Como a velocidade e o tempo de chegada do eco são conhecidos, consegue-se com facilidade calcular a distância de um objeto. Além disso, é possível saber se o “alvo” está se afastando ou aproximando da estação. Isso é possível graças ao efeito Doppler.

O que é efeito Doppler?

O efeito Doppler é um fenômeno pertencente ao ramo da física observado nas ondas quando emitidas ou refletidas por um objeto que está em movimento tendo o observador como referência.

Este efeito é percebido, por exemplo, quando escutamos um carro de polícia passando com a sirene ligada. Cada vez que o carro se aproxima do ponto do observador, o tom do som fica mais agudo. Ao passo que quando o carro se distancia, o tom fica mais grave.

Que tipos de radares de trânsito existem?

Grande parte dos motoristas do país, se não todos, conhecem os dois tipos mais famosos de radares empregados no trânsito do Brasil: os radares fixos e os móveis.

Radares fixos

Nas avenidas mais movimentadas das cidades brasileiras, este tipo de radar está presente. Normalmente, são fixados em postes e possuem câmeras que atuam no controle e captação visual de informações.

Vale ressaltar que é previsto em lei que as vias onde existam radares desse tipo devem possuir avisos, a título de sinalização, que indiquem aos motoristas a presença destes dispositivos. Isso, para evitar que sejam pegos de surpresa.

Os radares fixos são compostos não somente por câmeras, mas, ainda por sensores e um computador, responsável por calcular a velocidade e transmitir dados até as centrais que gerenciam esses aparelhos.

Os radares fixos são mesmo radares?

Muitos pesquisadores discutem o fato de os radares fixos serem mesmo radares, e mostraremos porque isso acontece. Como vimos, um radar é um dispositivo que emite ondas eletromagnéticas em curtos espaços de tempo que, ao se encontrar com um corpo, reflete-as criando o efeito Doppler, que mensura a distância e velocidade de um objeto.

No caso dos radares fixos, o funcionamento desses dispositivos não ocorre dessa forma, quer dizer, não há emissão de ondas. Na realidade, o que acontece é uma desativação momentânea do campo eletromagnético.

Radares móveis

Diferentemente dos radares fixos, não há dúvidas em relação à nomenclatura dos radares móveis. De fato, esse tipo de radar funciona da mesma forma como aqueles utilizados nos campos de guerra.

Esses aparelhos emitem sinais de rádio direcionados aos carros, sejam aqueles empunhados pela polícia rodoviária federal, ou os que ficam em determinados trechos nas rodovias.

O intervalo entre uma emissão e outra é constante, contudo, pela movimentação dos automóveis, os reflexos apresentam diferenças entre si por não possuírem mesma constância. A diferença entre as reflexões equivale ao efeito Doppler que explicamos há pouco.

Através desse efeito (Doppler), o equipamento realiza cálculos e fornece a velocidade em instantes. Normalmente, para que os resultados sejam mais confiáveis, utiliza-se dois destes equipamentos.

Conclusão

Como vimos, dos radares empregados nas rodovias e avenidas brasileiras para controle e fiscalização, existem dois tipos possíveis de equipamentos, sendo móveis ou fixos, todavia, os objetivos de ambos são os mesmos: fiscalizar motoristas.

Muitas pessoas reclamam a grande quantidade de radares que ocupam as estradas brasileiras e, de fato, o número tem crescido. Mas, enquanto as pessoas insistirem em não seguir as leis, os órgãos de fiscalização impõem medidas que ameaçam a carteira (financeiramente falando) e, quando isso acontece, as pessoas obedecem as regras.

Agora que você aprendeu mais sobre os tipos de radares que existem, como surgiram e para o que servem, descubra mais sobre como o transporte público por ser aprimorado.

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