Impactos do trânsito na saúde: o cenário brasileiro

Dentre as pautas normalmente discutidas na temática de mobilidade urbana, sobretudo quando aplicada à realidade brasileira, alguns assuntos com destacada importância têm sido pouco discutidos.

O trânsito brasileiro, historicamente, ceifa muitas vidas todos os anos. Anualmente, segundo levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), o Brasil registra cerca de 47 mil mortes no trânsito. Além disso, 400 mil pessoas ficam com algum tipo de sequela após sofrerem algum  acidente.

Por isso, no artigo de hoje falaremos sobre os problemas de saúde causados direta e indiretamente pelo trânsito no país. Mostraremos seu impacto econômico, o que pode ser feito para reduzir as mortes e sugestões de melhorias, além de discutir o papel das empresas e governo dentro desse contexto.

Abaixo, encontram-se os tópicos abordados neste artigo. Sumarizamos o conteúdo para facilitar seu acesso aos temas que abordaremos.

  • O trânsito brasileiro em números
  • Qual o impacto econômico causado pelo trânsito no Brasil?
  • O que pode ser feito para melhorar o trânsito brasileiro?
  • Medidas com origem na iniciativa privada

O trânsito brasileiro em números

Como mostramos no início deste artigo, todos os anos, em torno de 47 mil pessoas são mortas em razão de acidentes de trânsito. Junto a isso, 400 mil pessoas sofrem algum tipo de sequela após estes acontecimentos, isso, de acordo com um levantamento realizado pelo ONSV.

Além disso, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o quarto colocado em número de mortos no continente americano, ficando atrás apenas da República Dominicana, Belize e Venezuela.

Mesmo após medidas terem sido adotadas com vistas à diminuição do número de acidentes, como a Lei Seca, por exemplo, a negligência de muitos motoristas ainda é responsável pelo crescente número de acidentes e mortes no país.

Além dos problemas causados diretamente pelos acidentes de trânsito, como as mortes e sequelas, existem outros problemas causados indiretamente por fatores como stress, poluição (atmosférica e sonora, por exemplo), distúrbios emocionais, dentre outros.

A poluição do ar contribui para diversos problemas de saúde, principalmente doenças pulmonares, como asma e bronquite por exemplo. Dado o alcance do problema, o trânsito deveria ser tratado como uma questão de saúde pública.

Qual o impacto econômico causado pelo trânsito no Brasil?

Entre 2014 e 2015, o Brasil gastou mais de R$ 100 bilhões com acidentes de trânsito, de acordo com o ONSV. Compõem esse valor itens como despesas médicas, atendimento hospitalar, gastos com o afastamento do envolvido de suas funções profissionais, dentre outros.

Além disso, os gastos e despesas provocados pelos acidentes poderiam ser investidos diretamente em melhorias sociais como saúde pública, educação, saneamento básico, dentre outros.

Economicamente, os prejuízos diretos e indiretos derivados dos acidentes prejudicam vários mercados, afetando a força de trabalho, o faturamento de empresas, além da mobilização de equipamentos e terceiros.

O que pode ser feito para melhorar o trânsito brasileiro?

É fácil perceber que a teoria é sempre mais “simples” do que a prática, além de muitas vezes utópica e simplista. O Brasil tem leis e punições penais sérias para alguns crimes de trânsito, o que falta é fiscalizar mais.

Tomemos como exemplo a Lei Seca. A lei número 11.705, de 19 de junho de 2008, criminaliza o uso e a ingestão de álcool por parte de motoristas. Além disso, proíbe a venda de bebidas alcoólicas ao longo das rodovias federais.

Desde que passou a vigorar, o número de mortes em acidentes causados pelo consumo de álcool diminuiu em mais de 14%, é o que aponta o Ministério da Saúde através do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM).

Todavia, mesmo após a proibição, não é difícil encontrar pessoas que ainda insistem em ingerir bebidas alcoólicas e pegar o volante logo em seguida. Isso, infelizmente, é muito comum ainda hoje, mesmo depois de transcorridos 10 anos da criação da referida lei.

Por isso, se as fiscalizações aumentassem, provavelmente teríamos queda na mortalidade rodoviária brasileira. Além disso, campanhas de conscientização geral, sobretudo relacionadas ao uso de celular e dispositivo similares, deveriam existir em maior escala.

Medidas com origem na iniciativa privada

Uma boa iniciativa já oferecida por algumas empresas, como benefício para os funcionários e terceiros, o transporte fretado, contribui para o combate ao stress e outros problemas causados pelo trânsito, auxiliando as empresas a controlar fatores como pontualidade e produtividade.

Além disso, campanhas de conscientização e respeito às leis, por exemplo, poderiam tornar-se estratégicas e parte das ações de marketing e comunicação com funcionários e até mesmo com clientes.

Por fim, programas de saúde poderiam ser introduzidos pelos departamentos de recursos humanos baseados em algum tipo de recompensa, com o intuito de motivar os funcionários que residem próximos da empresa a utilizarem meios de transporte alternativo, como, por exemplo, a boa e velha bicicleta.

Conclusão

Se alguma pessoa recebesse os números soltos, isto é, sem nenhuma informação adicional, poderia inferir que se tratasse de uma guerra. E de fato, em certo sentido, isso é realidade em nosso país (47 mil mortes anualmente).

O trânsito brasileiro ceifa muitas vidas todos os anos. Faltam medidas para diminuir esse cenário, além de aumentar a força fiscalizadora por todo o território nacional, sobretudo, nas rodovias federais e de maior importância econômica para o país.

Agora que você aprendeu mais sobre a triste realidade do trânsito brasileiro, descubra o que é gestão de transporte e qual sua importância e aplicação para as empresas e demais instituições do nosso país.

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