Logística de vacinação: como funciona?

Para iniciar um processo de vacinação em massa, é necessário planejar detalhadamente as ações logísticas, sanitárias e operacionais, sobretudo, quando consideramos as especificidades do nosso país.

Certamente, nos últimos meses de pandemia, o que mais temos aprendido são os desafios específicos que esta tarefa exigirá do pais, principalmente, pelas suas dimensões e desigualdades.

Questões como as listadas abaixo devem ser observadas e respondidas:

  • “O Brasil é um país de dimensões continentais”;
  • “Determinados imunizantes demandam um tipo de armazenagem específico ( baixíssimas temperaturas)”;
  • “Além das vacinas, o país deve possuir seringas e agulhas em quantitativo suficiente e profissionais preparados para esse grande desafio”.
  • “Recursos humanos e treinamento de equipes, organização de filas, definição de públicos prioritários e datas de início e fim claras. Além do mais importante: disponibilidade de vacinas”.

Esses são alguns dos exemplos que temos lido e ouvido diariamente nos últimos 10 meses de pandemia. Sobram ansiedade e expectativa, mas, na contramão, aumentam o cansaço e a indignação, pra citar o mínimo, do que o país tem experimentado nesses meses de pandemia.

No artigo de hoje, mostraremos a importância de um assertivo planejamento logístico no que tange a distribuição das vacinas e seu correto armazenamento, além da chegada aos locais de utilização.

Falaremos sobre:

  • Fase 1: distribuição
  • Fase 2: transporte
  • Fase 3: armazenamento
  • Fase 4: aplicação

Fase 1: distribuição

Essa é a primeira e mais importante fase do processo logístico, uma vez que nesta etapa se define a quantidade de vacinas que cada estado receberá, além dos locais onde os imunizantes serão aplicados na população.

É fundamental que haja proporcionalidade de vacinas nos maiores estados da federação, que, normalmente, tem sido os mais afetados pela pandemia, justamente, por terem um volume populacional maior e estarem mais sujeitos a irresponsabilidade das pessoas.

Além disso, antes das vacinas chegarem aos seus respectivos destinos, é importante que todo o processo seja acompanhado por forças de segurança, que garantam a preservação dos imunizantes, além de assegurarem a integridade dos responsáveis por transporta-las, principalmente, na utilização dos modais terrestres de transporte.

Ademais, nessa fase do planejamento logístico, é importantíssimo analisar as estruturas dos estados, bem como, de seus respectivos municípios no que diz respeito à capacidade de armazenamento disponível para cada tipo de imunizante.

Fase 2: transporte

Após uma vacina ser aprovada, quer em regime de uso definitivo ou emergencial, ela precisa chegar aos locais de aplicação. Essa fase é importante porque envolve definir os modais de transporte mais adequados para cada localidade, baseado nos pilares rapidez e eficiência.

Além disso, é fundamental que os modais logísticos escolhidos consigam transportar os imunizantes nas condições necessárias requeridas pelas fabricantes, principalmente observando a temperatura recomendada.

Em um país como o Brasil que possui dimensões continentais, diversos modais logísticos apropriados deverão ser utilizados para transportar as vacinas até os locais de uso, principalmente, as localidades mais remotas e de difícil acesso, como o estado do Amazonas, por exemplo.

Nessa fase, ainda, devem ser utilizadas ferramentas logísticas que otimizem o transporte dos imunizantes até seu destino final, principalmente, tecnologias de otimização de rotas, no caso do modal rodoviário, por exemplo, além de monitoramento e rastreamento, para maior controle do processo.

Fase 3: armazenamento

Recebidas as vacinas nos centros de aplicação, ainda é necessário armazená-las até que a população seja vacinada. Talvez, essa seja uma das etapas mais sensíveis do processo logístico.

Isso porque é fundamental que a rede de frios, isto é, os refrigeradores onde as vacinas serão preservadas, sejam adequados, assegurando sua qualidade até que sejam aplicadas na população.

Nosso país possui uma rede de frios padronizada e bem estabelecida para os tipos de imunizantes utilizados anualmente em todo o Brasil, o que poderá facilitar os processos operacionais e promover maior agilidade na vacinação em massa.

Todavia, algumas vacinas anti-covid, possuem características muito particulares de armazenamento. Tais vacinas (vacinas de RNA), provavelmente, deverão ser adquiridas em menor volume em nosso país, uma vez que a rede de frios nacional não consegue comportá-las em grandes volumes.

Fase 4: aplicação

Esta é a última etapa logística na qual teremos o transporte de insumos, equipes hospitalares, responsáveis pela aplicação e outros profissionais necessários direta ou indiretamente.

Além disso, a logística auxilia na preparação da rede pública de transporte nos dias marcados para vacinação, aumentando o quantitativo de veículos disponíveis, o planejamento de tráfego nas proximidades dos locais de vacinação, além de sinalizações claras nas ruas das cidades.

Conclusão

Como mostramos, é fundamental desenhar um processo logístico estruturado, organizado e que seja eficiente para promover a distribuição assertiva das vacinas.

Agora que você aprendeu mais sobre as etapas logísticas principais no processo de vacinação, descubra tudo sobre perdas ocultas em operações de transporte, aprenda ainda como lidar com elas.

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