O que ainda falta para os carros autônomos serem adotados de vez?

Nos últimos anos, o mercado de mobilidade tem sofrido intensas mudanças em nível mundial. Aplicativos de transporte e de entrega, novos combustíveis, carros autônomos e uma série de outras tecnologias são exemplos das transformações vivenciadas nos últimos dez anos.

O aprimoramento de produtos e serviços, somados à celeridade no desenvolvimento das novas tecnologias, balizadas pelos “grandes” problemas sociais, comuns em muitos lugares do planeta, são fatores que têm proporcionado o vertiginoso crescimento desta nova era logística.

Por isso, dada a vasta inovação no mercado logístico, no artigo de hoje, falaremos sobre os carros autônomos. Mostraremos as barreiras ainda existentes para adoção em massa dessa nova vertente de transporte, além de comentar brevemente alguns fatores que muitos desconhecem ou dão pouca importância.

Para facilitar sua leitura e, ao mesmo tempo, a navegação por este artigo, sumarizamos os tópicos abordados ao longo deste conteúdo. Assim, além de ofertar um guia rápido de acesso ao conteúdo de sua preferência, sua leitura será simplificada.

  • O que falta para os carros autônomos serem adotados de vez?
  • Educação de mercado: primeiro pilar
  • Economia e finanças: segundo pilar
  • Tecnologia: terceiro pilar
  • Economia compartilhada: quarto pilar

O que falta para os carros autônomos serem adotados de vez?

Quando os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil em março de 1549 juntos ao primeiro governador-geral, Tomé de Souza, logo se dedicaram a catequização dos índios e ao ensino, ministrando aulas de letras e filosofia.

Mas, o que isso tem haver com carros autônomos? O exemplo, de fato, nada. Mas, o princípio, tudo. Ficou estranho? Logo você entenderá o que queremos dizer por “princípio”.

Para que os carros autônomos passem a ser adotados em massa como meio de transporte e modal logístico, definitivamente, é necessário que algumas mudanças aconteçam. Sem sombra de dúvidas, a primeira delas diz respeito ao reconhecimento de valor por parte dos usuários e do mercado, berço nascente da demanda.

Educação de mercado: primeiro pilar

Recorrendo ao exemplo que apresentamos há pouco, referente à chegada dos jesuítas no Brasil, e atendo-nos ao princípio daquele contexto, isto é, de educar um “povo desconhecido”, fica clara a dificuldade de adoção dos carros autônomos.

Mesmo em pleno século vinte um, as pessoas são como aqueles índios do Brasil colônia, no sentido de desconhecerem totalmente o modelo proposto. Além do mais, por maiores defeitos que o atual modelo possa possuir, e de fato possui, mudanças dessa magnitude não levam pouco tempo.

Além da educação do mercado, e certamente dos vultosos investimentos em marketing, os carros autônomos já deram mais de uma prova de desconfiança, falhando em testes, provocando acidentes e, até mesmo, levando pessoas a morte. E, como se diz por aí, a primeira impressão é a que fica!

Outra grande barreira, talvez a maior de todas elas, é a econômica. E veremos o que isso significa a partir de agora!

Economia e finanças: segundo pilar

A segunda barreira a ser vencida pelas empresas que desenvolvem e produzem carros autônomos, refere-se ao pilar econômico, isto é, ao atual mercado automobilístico mundial. Contudo, vamos nos ater à parcela brasileira deste segmento.

No ano de 2013, as montadoras instaladas no Brasil comemoravam o recorde de vendas atingido no ano anterior (2012). Nessa época, o envio de lucros e dividendos ao exterior chegou a R$ 3,29 bilhões, uma expansão anual de 35%, conforme divulgado pela mídia especializada.

Em 2018, segundo dados divulgados pelo BC (Banco Central) em janeiro, foram R$ 232 milhões enviados para fora do país em 2017, quase três vezes mais do que a remessa do ano anterior (R$ 86 milhões).

Além disso, o mercado brasileiro naturalmente é muito atrativo, seja pelo comportamento dos consumidores, ou pelos incentivos fiscais que os governos oferecem às montadoras.

De 2012 até aqui, várias foram às marcas que expandiram suas operações ou passaram a produzir no Brasil, como exemplo, podemos citar a Fiat Chrysler e sua expansão para Goiana em Pernambuco, que ocorreu em 28 de abril de 2015, além de Nissan, Hyundai e a chinesa Chery que passaram a produzir em nosso país.

Marcas de alto padrão e luxo, mundialmente conhecidas e desejadas, como a Audi, BMW e Mercedes, e outras que já produziam nacionalmente, expandiram sua linha de produtos e passaram a produzir veículos familiares e para uso pessoal em nosso país, como os modelos Q3, 320i, Classe C e a linha GLA.

Agora, vem a pergunta:

Você acha que em um mercado como esse, onde as montadoras lucram bilhões todos os anos, auxiliadas pelas concessionárias na distribuição e vendas, além  dos altos ganhos que inflacionam os preços, os carros autônomos serão aceitos pacificamente? Detalhe: estamos falando somente do Brasil!

Um exemplo disso, muito claro e já conhecido, é o Honda Fit EX 1.5, que no Brasil custa R$ 57.480,00 e na França, o mesmo carro, sai pelo equivalente a R$ 27.898,99. Esses valores foram obtidos através de uma reportagem da mídia especializada.

Fora o mercado de carros de coleção e leilões que, em todo mundo, movimentam bilhões todos os anos. Certamente, é interesse de vários agentes, empresas e terceiros do atual mercado mundial de produção e venda de carros evitar o progresso dos carros autônomos.

Além disso, outros mercados poderão ser afetados, como o mercado petrolífero e de derivados, refinarias, oficinas mecânicas, produtos para desempenho automotivo, serviços automotivos, e diversos outros negócios indiretos ligados ao mercado principal.

Provavelmente, os veículos autônomos serão capazes de informar com precisão defeitos e mal funcionamento através de sensores e software embarcado de auto diagnóstico.

Tecnologia: terceiro pilar

Dentre as barreiras para adoção massiva dos carros autônomos, encontra-se, também, o desenvolvimento da tecnologia. A solução atual ainda não é estável e segura ao ponto de ser implementada em massa, tampouco, comercializada.

Um desafio grande, que não pode ser negligenciado e que, até agora, pouco se tem falado a respeito, é a maneira como as pessoas dirigem, que além de subjetivo é extremamente variável.

O que deixa alguém confortável em um carro, não é igual aos fatores que deixam os outros confortáveis. Fatores como velocidade, tomada de decisão do automóvel, cálculos de espaços e demais possibilidades semelhantes são parâmetros que causam diferentes reações nas pessoas.

Para ficar claro o que estamos dizendo exemplificaremos. Vamos imaginar que um carro autônomo esteja prestes a passar entre dois veículos, no meio de ambos, e que o espaço entre eles é muito estreito, porém, suficiente para trafegar.

Como o carro autônomo irá se portar? Passará em alta velocidade e aterrorizará o passageiro abordo? Ou, irá devagar e incomodará outros passageiros mais apressados? Sendo assim, para descobrir os parâmetros ideais de tomada de decisão e funcionamento dos carros autônomos, do que é ou não confortável e/ou aceitável, ainda levará algum tempo, além de muitos investimentos.

Economia compartilhada: quarto pilar

Basicamente, a economia compartilhada propõe o consumo compartilhado e colaborativo, seja em relação a produtos ou serviços. Atualmente, ao que tudo indica, o modelo de carros autônomos funcionará dessa forma.

Empresas de mobilidade e/ou montadoras serão donas dos automóveis e as pessoas, através de aplicativos de celular, sinalizarão demandas por deslocamento. Mas, e o preço desse serviço, dado o enorme investimento necessário para implementação da nova tecnologia? Será acessível? Será seguro ?

Não podemos esquecer que, mesmo passando a imagem de empresas que se preocupam com as pessoas e almejam o bem-estar social e o avanço da humanidade, a economia é capitalista e a razão de ser das empresas, ainda que participantes da economia colaborativa é produzir lucros capazes de remunerar os donos de seu capital.

Conclusão

Como vimos, existem obstáculos para que os carros autônomos sejam adotados, ainda que os benefícios, também existam. Todavia, o objetivo deste artigo foi apresentar alguns pontos que ainda são desconhecidos.

Agora que você aprendeu mais sobre algumas barreiras existentes para a adoção em massa dos carros autônomos, descubra qual a importância dos relatórios e o que eles dizem sobre operações de transporte e gestão de frota.

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